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Como todo bom relacionamento, rolou uma crise entre Ícaro e a avó materna. Ele tinha voltado da escola e não quis se trocar, nem jantar e chamou a avó de…feia! ele levou bronca do avô e do pai. Quando cheguei do trabalho fui conversar com ele. Ele já estava pronto para dormir. Comecei o sermão e ele, rapidamente disse:

- Eu não quero falar disso mamãe. Vá jantar. Você chegou do trabalho e está com muita fome.

Usou as minhas palavras a seu favor e virou o rosto.

Ícaro “fez” a avó materna presenteá-lo com uma mochila nova sem necessidade. Por “fez” entendam que só foram necessários 10 minutos longe de mim dentro de uma loja. Não gostei. Até porque ele já tinha uma mochila linda, em perfeito estado e que custou bem caro, presente da mesma vó (ô estrago bom!). Passei sermão nos dois e na volta para casa eu só via a cumplicidade daquela dupla, cheia de cochichos, risos e abraços – bonitinho de ver.

No outro dia precisei sair com Ícaro. Ainda no carro disse que ele não ia ganhar nada especial. A gente tinha ido comprar cuecas e meias. Eis que no meio de tudo, ele acha uma camisa disso, a calça daquilo, o tênis de não sei quem e começou a pedir. Expliquei que ele ão ia levar nada e lembrei da nossa conversa. Lembrei também da mochila cara que ele tinha ganho um dia antes.

Ele fez biquinho e rebateu:

- Então eu vou vender minha bolsa nova, pego o dinheiro e a gente vem comprar essas roupas. Combinado?

Fiquei passada e ele reforçou, com carinha pidona:

- Combinado mamãe?

Bem, algumas pessoas disseram que eu deveria ter cedido diante da “solução” que ele apresentou. Achei melhor não e ainda expliquei que ele não poderia vender a mochila, afinal tinha sido um presente da avó. Ele insistiu:

- Mas eu peço pra vovó e ela deixa. Por favorzinho.

Só por curiosidade, perguntei para quem ele pretendia vender a mochila. Ele disse que para algum menino grande que tenha dinheiro. Eu ri muito!

Domingo, 19, André Filho completa 13 anos. Embora quisesse muito que ele continuasse criança ainda por um bom tempo, as coisas não são exatamente como a gente deseja. O corpo do meu filho mais velho está mudando, seu humor oscila e, às vezes, ele chega a tirar nossa paciência com as insistência e ansiedade típicas dessa fase. Por outro lado, sinto que André, eu e André Filho somos mais cúmplices e companheiros a cada dia.

Meu filho me ensinou a ser uma pessoa melhor,  a amadurecer aos 19 anos com a responsabilidade de, ao lado de seu pai, cuidar dele e dar a melhor educação que poderia dar. André Filho me ensinou a pedir desculpas e a ser uma pessoa mais maleável.  Só posso desejar que ele continue sendo um orgulho, um ótimo aluno, filho e irmão.

Feliz aniversário, meu filho! Te amo!!!

A descrição do blog, feito para compartilharmos as histórias e os momentos vividos com nossos filhos vai precisar mudar. Agora são 6 crianças e 1 adolescente.

Julia x Carnaval

Juju até gosta de carnaval. Mas não gosta de música alta, tem medo das pessoas fantasiadas e pavor dos bonecos gigantes típicos dessas festas. Enfim, Juju não gosta de carnaval.

Domingo nós estávamos na praia e fomos dar uma olhada na prévia do bloco Suvaco do Careca, lá mesmo em Ponta Negra. Juju chorou do início ao fim. Ficou desesperada quando os bonecos chegaram perto da gente, enfim… não foi legal.

Bom, há três anos um grupo de amigos organiza o bloco Fiquei Porque Quis, que sai pelas ruas de Ponta Negra no domingo de carnaval. As reuniões da organização acontecem lá em casa, portanto o assunto carnaval faz parte da rotina das crianças. Hoje eu fui conversando com Mateus e Julia sobre a fantasia deles para o carnaval. Mateus disse que não queria que eu comprasse nada porque ele mesmo ia inventar alguma coisa. E Juju saiu com essa:

- Mamãe, eu quero uma fantasia rosa.

- De bailarina, Juju?

- Pode ser de bailarina, mas eu quero uma fantasia rosa bem grande, que me cubra todinha para o boneco não me ver.

Eu não aguentei e caí na risada. E a conversa não parou por aí. Eu fui explicar para a Juju que o boneco era de brincadeira, que ele não fazia mal a ninguém, etc, etc, etc. Ela ficou pensativa por uns segundos e perguntou:

- Mamãe, o papai vai no carnaval?

- Acho que sim, Juju, mas temos que perguntar pra ele.

- É porque eu acho que eu prefiro ficar em casa com ele mesmo… não quero ver o carnaval não.

Não tem jeito… Juju não gosta mesmo de carnaval!

 

Esses dias estávamos em um aniversário e Juju pediu para ir ao banheiro. Fomos. Na saída Juju foi lavar as mãozinhas: sabonete pra lá, sabonete pra cá, e eu falei:

- Tá bom, Juju. Desliga logo essa torneira.

- Tem que lavar a mão rapidinho pra não acabar a água do planeta, né mamãe?

Achei tão bonitinho… até porque nunca ensinei isso para a Juju! Ela deve ter aprendido na escola e já está se tornando uma menina consciente! :)

Poluição visual

Manhã de domingo, seguimos para a praia no carro e Julia, de repente, puxa o assunto:

- Mamãe, se eu fosse prefeita desta cidade (!!), eu tirava todos os outdoors da rua (sic).

- É mesmo, Juju? Por que?

- Porque a cidade fica feia, mãe, cheia de placas com essas propagandas chatas e velhas. Acho que era mais bonito se tirasse. Não é?

- (Eu, surpresa com a observação) É, filha. Concordo!

Bem resolvido

Parece coisa de mãe coruja – e é – mas eu sempre digo que Ícaro é um príncipe. Ontem foi dia de retorno às aulas. Depois de muita farra ele voltou à rotina. Estava tudo bem até ele chegar na escola e perceber que teria professoras novas, amiguinhos novos e estudaria em uma sala nova. Mesmo tendo feito uma preparação por dias a fio, ele não resistiu e chorou. Fez biquinho, queria que o pai e a mãe ficassem com ele e só se acalmou quando a antiga professora – que agora é diretora – entrou na sala para dar as boas vindas. Foi a minha deixa. Fui embora com o coração pequenininho.

Já no outro dia…fui conversar com ele para saber o que tinha achado do primeiro dia de aula. Ele só me contou aventuras, falou dos novos amiguinhos e da sala nova que é “mais grande” que a anterior. Ai eu toquei no assunto do chorro. Perguntei o motivo.

- “É que era tudo novo mamãe. Ai eu tive medo e queria que você e papai ficassem comigo na sala só mais um pouquinho. Vocês foram embora e eu chorei. Mas já passou, conheci todo mundo”.

E foi assim. Hoje, no segundo dia de aula. Ele me mostrou a sala nova, deu beijo e se despediu com a independência que toda criança de 3 anos possui:

- “Pode ir mamãe. Tchau”.

 

Navegando pela net achei esse post, escrito originalmente por KJ Dell’Antonia, blogueira do NY Times,  e traduzido livremente por Gisela Gueiros no blog Minas de Ouro. Veio muito a calhar. É que daqui alguns meses Ícaro vai estrear no ar. Mas calma gente! Ele não vai com asas coladas com cera. Vai de avião mesmo (rs). Acredito que toda mãe e pai se preocupa com o comportamento das crianças nessa estreia. Gostei das dicas e vou reproduzir aqui.

ALEGRIA NO AR

por Gisela Gueiros 

Faz um tempão que estou querendo “roubar” e traduzir este post da KJ Dell’antonia, blogueira do New York Times que escreve sobre pais e filhos. Pra mim, foi uma luz. Um jeito simples de aprender a viajar com crianças sem ter muita dor de cabeça. Acabei de chegar na Flórida, onde vou passar o Natal, e pude testar as dicas da jornalista. Para o Minas de Ouro, fiz uma tradução livre (e levemente resumida). Para quem lê em inglês, recomendo o original, claro! Boa viagem…

1 – Seja legal com os funcionários da companhia aérea

A sua poltrona provavelmente está a 10 fileiras de distância da do seu filho de 3 anos. Você vai precisar de ajuda dos atendentes. Peça ajuda logo de cara, com um largo sorriso no rosto. Capriche no visual. Capriche no visual das crianças (roupinhas iguais em irmãos fazem as aeromoças dizer “ah!!!”). Seja simpática.

2 – Seja legal com os outros passageiros

“Oi”, eu digo para a pessoa sentada em frente ao meu filho menor. “Estou viajando sozinha com quatro crianças, pode ser que eu me distraia, então por favor me avise se eles estiverem te irritando, chutando sua poltrona ou brincando com a bandejinha. Eles sabem que não devem fazer isto, mas se esquecem”. Diga isto na frente das crianças, para que eles escutem também.

3 – Seja muito legal com os outros passageiros

Se seu bebê chorar o vôo inteiro, sem parar, peça desculpas. Peça para a aeromoça dizer aos outros passageiros que você sente muito pelo transtorno causado. Se estiver com um dinheirinho sobrando na carteira, ofereça drinks para seus vizinhos. Conheço uma pessoa que ofereceu plugs de ouvido. As pessoas percebem que você está tentando de tudo e sentem menos ódio. Não é culpa sua que o ouvido do seu bebê está doendo. E daí? Desculpe-se mesmo assim.

4 – Seja legal com seus filhos

Avião não é lugar para brinquedos de madeira e minicenourinhas. É hora de DVDs e pirulitos. Batatas chips. Nintendo. E pilhas extras.

5 – Seja legal com você

Para mim, levo chocolate e a memória de como me senti mal quando briguei com todo mundo no último vôo, de filho a atendente de vôo até o cara que não quis trocar de assento comigo. Se você não vai me ajudar, eu vou sorrir e dizer obrigada. Vou procurar alguém que me ajude. Se as coisas derem errado, vou dar risada e tirar o melhor que der da situação. Se eu não conseguir fazer isto, vou respirar fundo, me desculpar e começar de novo. Não porque eu queira ser uma deusa zen da bondade. Mas porque eu não preciso de outra úlcera.”

Não é ótimo? Recomendo : )

Mulher difícil!

Bagana – refrigerante, chicletes, biscoito recheado, salgadinhos industrializados – é coisa bastante regrada na nossa casa. Durante a semana, procuro evitar que os meninos consumam esses alimentos. Mas também não é proibido. Sexta à noite, Maria Luísa, minha sobrinha, aparece com alguns chicletes. Mateus pede um e ela manda ele me perguntar se pode. O pai autorizou e ele volta para informar à prima.

Mateus – Meu pai deixou.

Malu – Espere aí que eu vou perguntar se ele deixou mesmo.

Mateus – Eu não já disse que ele deixou. Ô mulher difícil!

Infração virtual

Ligo para casa no início da noite para saber como está Juju. Ela atende meio reticente, e passa a responder “sim” ou “não” para a minha série de perguntas. Quando percebe que estou demorando com a conversa, interrompe: “Mamãe, tenho que desligar porque estou dirigindo e se um guarda me vir, vai me multar por infração!”. “Dirigindo?”, pergunto. “Sim, mamãe. Tô jogando Mario Kart!”, respondeu, rápida.

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